Por Maria Inês Campos

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SPARRING OU SACO DE PANCADA?

Aqui estou com mil questionamentos na cabeça.

Acabo de  defrontar com uma situação de inflexibilidade e resistência e fiquei pensando sobre o fato e me perguntando se é uma situação de incompetência ou de inadequação.

Quando sou contratada deixo claro que os problemas ou conflitos serão resolvidos ao longo de um tempo pré-estabelecido e que o contratante tem que necessariamente estar disposto a passar por uma bateria de questionamentos internos, por vezes dolorosos, já que o mergulho interior pode colocar em evidência emoções  ou valores que levamos anos a fio escondendo de nós mesmos.

O coach tem a função de andar junto, conduzir o seu cliente nesse mergulho tendo por objetivo o que o cliente determinou por meta.

O coach não determina a meta, ele pergunta qual é a meta que o cliente quer alcançar. Na maioria dos casos a meta passa por uma reavaliação, já que nesse mergulho interior é comum que o indivíduo se redescubra e retome caminhos temporariamente abandonados em virtude de alguns obstáculos.

Viver é uma luta.

Luta pela sobrevivência física, emocional e espiritual e toda luta tem o período de treino e como lutadores que somos elegemos qual é a melhor maneira de treinar, né?

Pois bem, comecemos exatamente por esse ponto: O TREINO.

Algumas pessoas, a maioria, escolhe treinar fazendo uso de um sparring (um lutador que é usado para aprimorar as técnicas de lutador principal, em resumo um cara para sofrer os golpes)

Tem pessoas que viciaram-se em olhar tudo e todos de uma maneira muito ampla, observando o que está errado em cada um (como se errado e certo fossem fundamentos incondicionais e imutáveis , sic), como deveriam agir, o que seria o ideal na postura do outro….

E assim por diante, e isso não seria algo tão crucial se essa maneira de enxergar o outro  não trouxesse ao dono de olhinhos tão perspicazes uma onda de irritação imensa, fazendo do seu cotidiano um lamentar-se improfícuo, estérial que não tenha outra função que não seja a de lhe fazer infeliz e irritadiço.

A redundância nunca foi recurso que desse resultado positivo, é mais oportuno sermos objetivos, não só na nossa fala mas, e principalmente, no nosso jeito de pensar. Em geral remoemos palavras ditas, fatos ocorridos, choro contido, sorriso perdido e qualquer coisa que JÁ TENHA ACONTECIDO. O que já passou deve ter a nossa atenção para ser interpretado como instrumento de aprendizagem. Repetir o mesmo pensamento várias e diversas  vezes (rsrsrsrsrs) só vai gerar desgaste e a maldita da irritação. Você já pensou sobre isso?

Sei que você pode estar contra argumentando com a colocação que você não consegue dominar o seu pensar, e se você consegui dizer isso, mesmo que seja só em pensamento, pode admitir que você NÃO PENSA,apenas se deixa levar pelo instinto.

Quem pensa, pensa com o SEU cérebro, com a SUA emoção e com o SEU conhecimento, portanto, o pensamento é SEU e se você não controla o SEU próprio pensamento, vai controlar o que????

Arre que essa estória de pensar é muito complicada, não é?

Voltemos ao TREINO da nossa luta de viver.

Digamos que você escolheu o sparring para efetuar os seus treino e diante disso é bom pensar que (lá vem a estória do pensamento de novo!!!!):

– a nossa mãe é nossa primeira e voluntária sparring

– com o correr do tempo vamos saltando de sparring para sparring por pura acomodação. Transferimos da mãe para a primeira pessoa que tiver mais próxima de nós ( companheiro(a), filhos, chefes..)

– e por último, cabe considerar que o sparring, na luta de boxe é contratado para isso, recebe salário e aceita a função por livre escolha, o que não é exatamente o que acontece com nossos sparrings, certo?

Existe um outro recurso para treinarmos a luta da vida, caso você já tenha desistido de ter um sparring, o que é muito sensato por sinal, é o SACO DE PANCADA. Bom, né?

Todo lutador deve ter um, cada um escolhe o modelo que melhor lhe atender;

– tem o faxinas club, adequado ao sexo feminino por gastar a nossa energia e consequentemente anula a irritação por cansaço;

– tem ainda esporte esporádico, esse tem mais aceitação tanto no setor masculino como no feminino e traz os mesmos benefícios do faxinas club

– tem o pernas pro ar, com livro ou sem livro, com música ou sem música, adaptável a qualquer lutador.

Enfim são muitas as possibilidades de você adquirir o seu saco de pancada, a única coisa que você deve atentar é que Deus, aquele velho e bom amigo, também está querendo que TODOS ACERTEM E SEJAM PERFEITOS e isso já faz um longo tempo e ainda não tivemos notícias  que Ele esteja irritado, certo?

Deve ser porque irritação é um mal desnecessário.

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ILUSÃO E REALIDADE

Amigo leitor, sobre esse tema, eu sugiro que leia atentamente o texto transcrito do livro “A Imensidão dos Sentidos” de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed com atenção e desprovido de qualquer pré-conceito.

“O maior desatino dos “controladores” é que para dominar precisam, antes de tudo, viver distanciados de seus próprios sentimentos, que, acreditam, poderiam deixá-los vulneráveis diante dos outros. Não se arriscam a mostrar como se sentem realmente. Em outras palavras, por medo de serem usados, maltratados ou desmascarados, escondem seus sentimentos mais profundos para assegurarem-se de que não existe possibilidade de qualquer pessoa ter poder sobre eles. Têm uma enorme necessidade de ordenar e passam anos a fio dizendo a si mesmos que a maneira certa de agir é ter as rédeas de tudo em suas mãos.

Os “controladores” fazem o trabalho em segredo, usando técnicas de comando indiretas, passivas. Agem de maneira tão sutil, dócil e educada, que não são identificados como tais. Podem ter consciência ou não do hábito de controlar, mas uma coisa é certa: esse comportamento faz-lhes muito mal, pelo desgaste energético em que vivem – impacientes, incapazes de relaxar e ficar sem fazer nada.”

Páginas 161/162

Leram?

Um texto forte eu diria, forte, mas carregado de lucidez.

É necessário ter coragem e discernimento ante uma verdade como esta, é preciso colocar um espelho em um quarto, fechar as portas e janelas para refletir se essa verdade cabe ou coube em algum momento da nossa viagem pela vida, espetacular e totalmente descontrolada por nossas crenças! E cá pra nós, graças a Deus, né? Já pensou se o Universo fosse regido por nossa pobreza espiritual?

A grande sacada diante de uma colocação como esta é nos dar o direito de nos livrar das ilusões acumuladas pelo tempo e olhar livremente, sem dogmas, sem medos, sem apego e com uma boa dose de ousadia e avaliarmos em quais situações nos comportamos como controladores.

A fada madrinha da Cinderela consegue transformar, por poucas horas, uma abóbora em carruagem, mas, é só ela. O máximo que podemos conseguir é transformar nossas ilusões de poder, comando, posse –  em pedrinhas que dificultam a nossa paz, tranforma-las em carruagem é coisa de fada. Você tem uma de plantão?

Caso você não tenha uma madrinha fada e a sua madrinha seja apenas uma pessoa querida, aconselho a usar outro recurso para transformar a ilusão de poder em uma carruagem belíssima ou, no mínimo, em uma abóbora muito simpática.

Detectando em nós mesmos se possuímos ou não o comportamento controlador daremos o primeiro passo para transformar a abóbora, nossas ações, em carruagem, ações que resultam em realização pessoal.  Podemos pensar se o desgaste energético, de controlar, é indispensável, se os resultados que estamos obtendo é bom o suficiente para justificar esse comportamento e se estamos felizes ou em paz diante desse padrão comportamental. (pouco provável….. )

Vença os seus medos, afinal a sua vida é resultado do que você pensa, acredita, sonha…..

Quer ser feliz?

Então OUSE. Vibre. Busque. Liberte-se de valores e crenças que lhe foram impostas na infância, construa os seus próprios valores, crie o seu caminho, refaça o trajeto se for necessário.

Talvez seja sensato participar da experiência de viver, achar o nosso eixo, o equilíbrio entre o que sabemos e o que ainda iremos aprender, buscar conviver com as pessoas sem manipulá-las, jogar as nossas ações para o Universo e aguardar as reações provocadas com a segurança de ter feito o melhor possível.

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