Por Maria Inês Campos

cavalo brancoHistórias condutoras: Origem do desconforto.
Hoss era um cavalo selvagem que corria livre pelo campo, saltava quando bem entendia e da maneira que lhe desse vontade. Era único, era livre, sem valores e crenças. Tinha como linha de vida somente a sua própria verdade. Não era preciso fazer concessões, nem mesmo olhar e sentir o que ele próprio não tivesse interesse.
Durante toda a sua vida foi assim que viveu até que um dia, como é comum à todas histórias, Hoss deparou-se com uma fazenda onde eram criados outros cavalos.Em sua vida livre também via outros cavalos selvagens, mas os da fazenda eram diferentes: recebiam afagos de seus criadores, eram mais calmos, conviviam de uma maneira mais próxima mais suave e até pareciam mais sábios. Seus olhos eram focados e iam de uma imagem a outra de maneira serena, quase nunca se agrediam. Hoss pensou que viver daquele jeito parecia ser muito bom também, claro que Hoss, com o seu jeito alucinante, dominado apenas pelo instinto de sobrivivência, observou que, em contra partida, havia naquele modo de viver um certo desconforto, afinal, tinham aqueles cavalos da fazenda algumas limitações impostas pelos criadores e outras tantas inerentes ao convívio com outros cavalos.
Eram limitações, mas eram necessárias para aquela calma e sabedoria que ele, Hoss, lia no jeito malemolente de andar e na sabedoria transmitida pelo olhar desses cavalos domados .
Hoss também ponderou sobre a tristeza que as limitações causassem naquele companheiros de espécie. Ponderou muito mesmo sobre isso! Chegou até a perguntar-se sobre quais foram e como foram os momentos, de sua livre vida, que sentiu tristeza ou alguma forma de dor emocional .
Não sei se você, leitor amigo, sabe que os animais também tem emoções, e Hoss tinha muita sensibilidade para perceber-se enquanto um ser emocional.
Um dia Hoss, nosso personagem principal, sentiu que precisava desfrutar de um relacionamento com indivíduos de sua espécie, sentiu que correr sem destino, saltar por saltar, já não mais preenchia os seus dias. Nesse dia Hoss lembrou-se dos cavalos da fazenda com uma pontinha de inveja. Não a inveja branca, nem preta ou rosa; simplesmente inveja, nua e crua como qualquer um sente.
Foi aí, nesse exato momento que Hoss resolveu buscar um treinador/domador, que lhe pudesse lhe fazer refletir sobre o valor da interação, da compreensão do princípio da ação e reação.
Hoss queria mais. Muito mais, queria entender como o outro pensa, reage, sente. Ele percebia que se continuasse atendendo só a seus instintos tornaria impossível o desejo de pertencer a aquele grupo ou na melhor das hipóteses seria muito desconfortável estar no grupo e pior do que isso, ele sabia que por mais que um indivíduo seja livre e faça o que quiser do jeito que quiser, nunca poderia se furtar da lei natural que determina que alguns animais só serão plenamente felizes quando se sentem parte de um grupo, assim como os homo sapiens.
Estava decretado o dilema. Continuar livre e sem um grupo estava tornando a vida de Hoss sem sentido, vazia, e viver como membro de um grupo exigiria dele uma boa dose de dedicação, abnegação.
Ambas situações causariam uma zona de desconforto.
– Ufa!!! Que droga! – pensou nosso amigo.
Pensou e concluiu que de qualquer maneira era determinante fazer uma escolha, e mais do que isto, o desconforto era fator exigido para que houvesse conforto e, consequentemente paz e felicidade. E assim seria sempre que ele buscasse algo novo para a sua vida.
A escolha de Hoss estava feita e com ela ele arcaria com o desconforto, mas estaria consciente de que logo viria a paz, o conforto e uma nova busca se esboçaria como a impulsioná-lo para outro dilema consolidando um novo aprendizado.

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