Por Maria Inês Campos

Arquivo para março, 2015

O óbvio ululante

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O óbvio ululante!!!!!

Tenho por hábito, várias vezes ao dia, neutralizar sons e imagens ao meu redor e mergulhar dentro de mim como a repassar momentos, fatos, cheiros …emoções. Viajo  através de sonhos e de memórias a lugares reais e imaginários ao meu bel prazer. Acredito que seja uma rotina de todo ser humano esse hábito, mas com a frequência que me proponho, talvez, seja mais raro.

DINA E CUOCO 2 E foi em um desses momentos que hoje pela manhã lembrei de Dina Sfat e especialmente de uma frase dita pelo personagem que ela interpretava na novela “O Astro”: –É óbvio ululante!!

Sou atenta aos conselhos recebidos; tudo bem que contesto 92% deles….. rsrsrsrs…. Mas aceito, o que sobra disso.

Já me disseram que tenho que redobrar a atenção em citações e, sendo assim, pesquisei no Google o “óbvio ululante” e o que nas minhas memórias estava registrado como de Dina Sfat, é na verdade expressão de Nelson Rodrigues, por essa razão, copiei o que achei a respeito.

*Ululante é algo que ulula, é gritar, berrar, como aves, gritar de forma aflita. Ulular vem do latim ululatus, que é o uivo, o som emitido por cães, um ganido prolongado para ameaçar alguém, ou chamar atenção.

Ululante popularizou-se através do escritor Nelson Rodrigues, que escreveu um livro chamado óbvio ululante, no ano de 1950. Ululante foi integrado à expressão “óbvio ululante”, que significa uma coisa tão clara e óbvia, que está “na cara” e as pessoas não enxergam.

Ululante é mais utilizado no sentido figurado, que é o sentido que o escritor deu, uma situação ou algo que dispensa explicações. Quando uma coisa é óbvia, já evidente, agora óbvio ululante é mais ainda, e de acordo com o sentido original, é algo que está “gritando” para ser percebido.
*http://www.significados.com.br/ululante/

Mas retomando a obviedade do assunto, ou seja, meus devaneios matinais de hoje, devo me reportar a um evento que participei como palestrante. Esse evento foi idealizado, preparado e efetivado por um grupo de estudantes universitários.

Universitários que demonstraram uma enorme competência em alcançar metas!

Fiquei feliz e gratamente surpresa ao me deparar com a organização do evento e  com os olhares, as expressões corporais  e o riso livre de meus ouvintes. Não tinha eu a pretensão de passar conhecimentos técnicos e científicos de grande porte ou  revelações bombásticas durante o desenvolvimento do meu tema: “SUCESSO – Siga as instruções.”, a tarefa era simples, porém quase impossível, constituía-se em dizer à aquele grupo de pessoas que SUCESSO está vinculado com ousadia, alegria de viver, determinação sem pressão e principalmente SONHAR. Sonhar exaustivamente… imaginar… colocar-se mentalmente dentro do contexto almejado…..

De que maneira? Como sonhar, ousar, caminhar livremente se estamos cercados de “dogmas”?

Como pensar em SUCESSO sem nos arremetermos na velocidade da luz ao encontro de valores materiais? De poder sobre o outro ou sobre alguma coisa?

Enfim, o que significa SUCESSO?

É óbvio ululante que o SUCESSO não está vinculado a esses valores e crenças impostos por essa sociedade de modismos faceanos, twitteranos, zapeanos….. aprendizados ligeiros e fugazes que massificam as relações humanas. Não entenda o meu leitor que rebelo-me diante desses recursos, muito pelo contrário, utilizo-os com frequência e divirto-me muito com eles.

Lembro-me dos olhares de minha seleta platéia, composta pelo que há de mais inovador, de mais motivador para quem sonha com um mundo amoroso, prazeroso e fraterno, falo desses indivíduos que no auge se suas vidas gritam por um mundo melhor, cobram de nós  o roteiro para o caminho da conquista de seus ideais.

E nós, o que fazemos?

Respondo que vamos colocando para nossos filhos e netos, nossos jovens,conceitos e mais conceitos, todos eles embasados tecnologicamente, ecologicamente, socialmente, e deixamos de contar nossas estórias, as estórias de erros, de atrapalhadas, as hilárias, as constrangedoras. Ensinamos a eles e passamos os nossos conhecimentos do que é certo e o que é errado, esquecendo que de verdade o certo ou o errado é circunstancial, negando a eles o melhor dos conhecimentos que é a “expertise” de olhar, perceber e decodificar o outro e, o que é mais cruel; esquecemos de dizer que para desenvolver essa “expertise de decodificar o outro” precisamos, necessariamente, decodificar a nós mesmos.  A isso podemos chamar de Inteligência Emocional, sem ela o SUCESSO não ocorre. É óbvio ululante!!!

 

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Hoje – Possibilidades.

Segunda – feira, 16 de março.Replanejamento 213

Amanhece o dia prometendo sol e calor, e como é comum em quase todas as segundas – feiras, amanhecemos nós nublados, envoltos em pré-ocupações, determinando que a partir de agora, desse exato instante, devemos organizar tudo e todos.

Afinal hoje é segunda – feira!

Eu tento, mas não escapo muito dessas síndromes pré estabelecidas. Hoje também acordei com ar, cheiro e cores de segunda – feira.

Todas as vezes que isso ocorreu não mudou muita coisa; segunda, terça, quarta, ou qualquer outro dia da semana não difere muito dessa sensação de agitação interna, desse  “preciso fazer”, “preciso correr”, “preciso resolver”. Talvez hoje, só pra ser diferente eu precise parar, observar, ou não precise nada. Nada mesmo! Talvez soltar a rédea da própria vida deva ser um exercício interessante. Sentir e agir conforme os fatos aconteçam, placidamente, não segurar a dor, não esconder o medo, permitir-se a perplexidade diante do cotidiano, sentir-se imersa nesse mundo sem o poder de mudar nada , nem a mim mesma, pode ser o que de melhor eu tenha para essa segunda -feira.

Hoje quero estar livre de crenças, por algumas horas, pelo dia todo; não sei. Hoje vou viajar para dentro de mim, sem receio, sem expectativas, sem passado. Levo na mala as emoções vividas, sem datas, sem mapas, levo as imagens gravadas na retina da alma, assim, bem desordenadas.

Hoje me solto pelo vazio cheio de sabedoria e  flutuo dando espaço para a Paz  me levar. E assim, solta e desvinculada do “tenho que” vou vivendo essa segunda na certeza de permitir que algo, alguém, me conduza por um caminho, ainda desconhecido, e portanto, inovador e prazeroso, libertador e solucionador. Essa é a possibilidade que me permito hoje.

E você, o que tem para hoje?

 

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