Por Maria Inês Campos

A expectativa é uma das sensações mais angustiante e mais “viciantes” no nosso cotidiano.

Fazemos da vida um festival de expectativas. Caminhamos sempre em busca de algo.

É estafante caminhar sempre com pressa, precisando chegar. Desaprendemos a caminhar pelo prazer de exercitar, de olhar ao redor, de respirar compassadamente….

E quando o “acaso” nos coloca a passeio, logo arrumamos um lugar para chegar ou algo para alcançar, não é?

Nesse caso, o de sempre nos condicionar a buscar algo, é que nos tornamos dependentes da sensação de estarmos em expectativa, e aí desenvolvemos um mecanismo peculiar para combater a ansiedade gerada;  criamos a “ansiedade do negativo”.

Escrever sobre isso parece estranho, mas é um recurso que usamos inconscientemente desde a infância.

Exemplos de “ansiedade do negativo”:

1-Quem já não guardou a melhor , ou maior parte do ovo de páscoa para comer quando todo mundo já tiver acabado com o seu?

2-Quem já prestou uma prova e, embora tenha achado que foi bem, saiu anunciando que foi mais ou menos?

3-Quantos de nós, querendo uma coisa, nos preparamos para não alcança-la?

E tudo isso em nome do “bom-senso”, da “prudência”, como se vibrar negativo tivesse alguma justificativa que não fosse o nosso despreparo para viver plenamente.

A expectativa é necessária, nos coloca em posição de alerta, aguça nossos sentidos, desde que dosada e ocasional. Esperar o melhor do Universo é nosso direito e dever. Almejar sempre mais faz parte da evolução do ser humano, o equilíbrio consiste em não nos abatermos por qualquer situação não alcançada, não esquecer que a lei de ação e reação é imutável e impossível de ser ignorada.

O que fazer para manter os índices de expectativa sob controle e atuando positivamente em nossas vidas?

Selecionei alguns recursos de fácil aplicação e rápido efeito;

1- O mais conhecido e propagado é a meditação.

Meditar, a grosso modo significa esvaziar a mente de tudo o que está ao nosso redor para estar livre e poder focar em si mesmo. Tarefinha difícil essa!

Como ficar cinco minutos sem pensar no trabalho, na família, no amor? E veja que aqui não estou me referindo ao amor fraternal, claro! Bom, sou da teoria de que quem apresenta um problema fica comprometido a apontar a solução, sendo assim, proponho um recurso para meditar sem tanta complicação ou empenho. Vamos à técnica:

a) escolha um local onde você esteja bem acomodado e possa permanecer quinze minutos em silêncio e sem ser interrompido. Use a tal flexibilidade que tanto é falada nesse blog e arme estratégias para que esse primeiro passo, rumo à meditação, seja possível;

b)imagine um pássaro cantando e tente construir uma letra para a melodia do pássaro, você vai se espantar com sua capacidade poética! Visualize um rio e ande vagarosamente sobre ele, mesmo que não saiba nadar, eu nunca ouvi dizer que rios imaginários afogassem alguém. Percorra o rio, vá construindo a paisagem que o margeia, sinta os cheiros, sinta a água, as pedrinhas e veja que lindinho o sapinho encolhido atrás daquele matinho!!!!

Parece bobagem? Engano. Somos muito primários para abrirmos mão de algumas coisas, a grande maioria dos indivíduos entendem só a linguagem da troca e é isso que estou propondo para a sua mente – troque seus problemas por belezas naturais, mesmo que tiradas do fundo da sua memória – é uma maneira de dar espaço para a meditação, de desfocar.

2-Outro recurso interessante é o “sair de cena”. Essa técnica pode ser muito divertida e certamente vai proporcionar a você, além de abaixar os índices de expectativa, um belo exercício de estratégia. Ela consiste em:

a) trace um levantamento mental minucioso da situação que lhe proporciona alta expectativa;

b)veja-se como se fosse um personagem da situação;

c) tome para si a função de observador da cena em questão;

d) chame você de lado e como observador, converse e argumente sobre todas as variáveis possíveis para o desfecho da cena analisada. Pondere os prós e contras, estipule metas, organize possíveis soluções.

Depois de aplicar esse recurso, além de estar com a emoção sob o seu total controle, você descobrirá o quanto é inteligente. Pode acreditar! Vai até redescobrir o seu senso de humor!

Moral da estória: – Expectativa é a esperança fundamentada em promessa, é uma sensação boa e produtiva desde que não briguemos com a esperança, fazendo da expectativa uma emoção que vá da alegria de alcançar algo ao sentimento de frustração antecipado pela possibilidade de não dar certo. Acredite na sua promessa, na promessa da vida, na promessa do sucesso, e se não der certo na primeira vez, tente outra e mais outra e tantas quantas forem necessário. Viver é isso!

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