Por Maria Inês Campos

Temos fé, ou não temos fé?

Vamos pensar um pouco sobre essa questão:

1-    Para ter fé é preciso acreditar em algo, certo?

Ótimo!

Comecemos exatamente desse ponto: – quem acredita TEM que existir-  sendo assim o primeiro passo será sempre existir.

Ficou confuso?

Claro que não!

Acreditar em algo significa que além de sobreviver eu VIVO, tenho consciência clara de quem sou e discernimento para elaborar conceitos.

Chegamos, portanto, no AUTOCONHECIMENTO.

Algumas palavras perdem sua “densidade” com o uso excessivo, tornam-se chavões aplicados a todo e qualquer momento, deixemos então para o autoconhecimento o significado de ser alguma coisa que nos leve a conquista de saberes sobre o que sentimos, queremos e o que somos. É necessário decodificar esse sentir, querer e ser, aprofundando com questionamentos incessantes até que a nossa razão dê-se por satisfeita com as respostas obtidas.

2-    Outro ponto importante é alicerçar a fé na razão. Religiosidade criada no “vai-da-valsa”, embasada em tradições passadas de um para outro não pode ser tida como FÉ, pois a fé pressupõe acreditar e como acreditar no que não vislumbramos compreender?

Não tenho a pretensão de escrever algo muito novo sobre tema tão profundo como a FÉ, quero apenas levantar a curiosidade de alguns, que tidos por leigos mesmo assim querem mais do ato de VIVER.

Tenho por objetivo nessa pequena proposta de reflexão atingir uns poucos amigos ou mesmo aquele que o “acaso” levar à leitura desse texto.

Desejo refletir sobre a necessidade urgente de encontrarmos caminhos que nos levem a nós mesmos.

Mergulhar nos nossos mais secretos e/ou camuflados desejos pode ser doloroso, desafiador e causar um grande medo, mas é a única maneira de nos defrontar com a nossa verdade.

Temos à disposição inúmeros instrumentos para esse mergulho: terapias, dinâmicas de grupo ou individuais, textos, teorias…

São muitas as opções.

Só tem um senão; todas, invariavelmente todas, são APENAS instrumentos, o único ator é o indivíduo. Só ele carrega a própria vida, portanto, não há roteiro alternativo, teremos que descobrir a nossa essência com as próprias mãos. Tarefa longa e árdua, mas prazerosa na medida em que constatarmos o quanto somos bons, o quanto crescemos e ainda podemos crescer.,

Você, meu leitor, pode estar estranhando tudo isso e se perguntando:

– Como somos bons, se buscamos a nossa essência que está mascarada no fundinho do nosso inconsciente?

– Se fossemos bons ela não estaria escondida, não é?

Ledo engano.

Com o passar dos anos, atendendo pessoas aqui e ali,  e minha experiência como pedagoga pude constatar que se mergulharmos ao lado de alguém que busque se conhecer verdadeiramente teremos surpresas maravilhosas. Exemplos de doçura, de amor, de doação e de extrema sensibilidade que foram sufocados pelo cotidiano, na necessidade de sobreviver, por vezes deixando de vivenciar a própria emoção.

O pré-conceito, a culpa proposta por conveniências do meio social entre outros fatores, sufocam o lado mais humano de cada um de nós, e a partir disso teremos a “fuga” da verdade pessoal para o escaninho do subconsciente.

Não tenho a intenção de abordar esse tema sob a ótica da psicologia, já que nessa área, como em tantas outras, não tenho conhecimento aprofundado.

Sou só uma pessoa pensando e crendo que alguém possa se beneficiar com a minha linha reflexiva.

Acredito piamente que quem tem fé não tem medo, tem dores, mas tem coragem para suportá-las.

Quem tem fé tem raiva, mas também tem discernimento para domá-la.

Quem tem fé, não tem inveja, tem metas para alcançar.

Quem tem fé tem força e sabedoria para VIVER.

Conheça-se profundamente de tal maneira que acredite firmemente  que você é capaz de realizar tudo o que sonhar.

Acreditar em você é o primeiro passo para acreditar em ALGO MAIOR.

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