Por Maria Inês Campos

Arquivo para junho, 2012

MEDO (disfarces e armadilhas)

Vivo a observar as ações e reações de pessoas no dia-a-dia.

Passei longo tempo buscando explicações para situações que me eram difíceis de aceitar e, portanto, geravam muita dor, depois passei a buscar como eu poderia solucionar essas situações para não sofrer, demorei muitos anos para perceber que eu só podia modificar e transformar a mim mesma.

Sei que essa constatação soa como filosofia de bolso, auto ajuda, ou qualquer coisa do tipo, mas é bom pensar sobre isso, é bom lembrar que os grandes mestres da humanidade não vieram trazer à tona conhecimentos sofisticados, vieram colocar para o mundo que é na simplicidade das ações, na pureza da verdade que seremos felizes, lembra?

A cultura oriental traz uma ferramenta de auto-conhecimento muito interessante para se aplicar nas questões pertencentes ao MEDO, o taoismo. “Taoismo (ou daoismo) é uma tradição filosófica e religiosa originária da China que enfatiza a vida em harmonia com o Tao (romanizado atualmente como “Dao”). O termo Tao significa “caminho”, “via” ou “princípio”, e também pode ser encontrado em outras filosofias e religiões chinesas. ”

O simbolo do Tao nos leva a refletir sobre o equilíbrio das emoções, um bom exemplo é o do gato acuado; imagine que você esteja em um canto de quintal e tenha um gatinho lindinho. ande em direção ao bichinho encurralando-o, qual será a reação do gato?

Fugir ou agredir, certo?

É isso o que fazemos quando estamos acuados, fugimos ou agredimos.

O que nos acua, na maioria das vezes, é o medo. Medo de olhar para nós mesmos e nos ver  sem disfarces, medo do que poderá acontecer nessa ou naquela situação, medo de não sermos aceitos, medo de sermos descobertos. Medo é uma situação de encurralamento.

Só sentimos medo daquilo que não conhecemos, que presumimos que será ruim, então, assim sendo, uma boa sugestão para desvanecer o medo é olhar de frente tudo e todos. Olhar de frente não é a coisa mais fácil que eu conheço, é muito complicado…

Já ouviu falar Jung e seu conceito de “sombra”?

Não? Pois é, esse tal de Jung foi o cara que formalizou uma verdade que era bem disfarçadinha, segundo ele “sombra” é um conceito que designa a soma dos lados rejeitados da realidade que a criatura (nós mesmos) não quer admitir ou ver em si mesma, permanecendo escondidinha no profundeza da intimidade.

Você já soltou frases como: modéstia à parte, inveja branca, fulana é isso, ou aquilo no sentido de denegrir alguém… ou outras parecidas?

Essas frases podem ser fruto da sua “sombra” e é bom você prestar atenção porque é sinal que ela nem está tão escondida assim. Até porque as coisas ignoradas geram mais medo que as conhecidas.

Quando recusamos aceitar a diversidade de emoções e sentimentos  que trazemos no nosso mundo interior criamos uma situação de acuo, onde a raiva, a mágoa, a inveja, o desejo e outras emoções, convencionalmente inadequadas, passam a ser escondidas de nossa própria capacidade de analise e compreensão. Tudo o que não é conhecido, não compreendido pode gerar medo. Se não percebemos que a nossa estrutura humana é carregada de dualidade (tao), frieza/sensualidade, avareza/desperdício, egoísmo/desinteresse, lassidão/impetuosidade, fica muito difícil iniciar o processo de autoconhecimento que nos libertará do medo.

O medo nasce da nossa ignorância de sentir, temos medo quando não enfrentamos as nossas emoções de frente, quando buscamos preocupações infundadas para mascarar o que não queremos ver de perto.

Conheço pessoas que tem medo de morrer, ou de perder alguém, não aquele medinho natural, mas um medo incontrolável que faz perder noites de sono, que provoca dor antes da hora.  Outras  perdem longas horas do seu dia em imaginar o que pode acontecer de ruim, como se fizessem previsões de desgraças, umas acontecem outras não, mas basta uma previsão dar certo para que eles passem a aumentar o número de horas disponíveis para alimentar o pessimismo e consequentemente sentir medo. Esse sentir medo, vai devagar se instalando e se fazendo necessário, como a justificar a existência dessa criatura e cresce…cresce… vira depressão, pânico, síndrome.

Bom, em resumo, o melhor mesmo é não ter medo de sentir medo. Conheça o seu medo e conhecendo-o saberá como se livrar dele. Lembre-se que a única coisa que você pode dominar é você mesmo, e o mundo , o universo, o ser humano vão seguir cada um a sua rota, traçada por um Ser Superior, ou na pior das hipóteses, cada um traça o seu destino, você não é o Senhor do Mundo, então deixe a vida fluir e aproveite  o seu hoje e deixe o amanhã para amanhã.

Anúncios

SPARRING OU SACO DE PANCADA?

Aqui estou com mil questionamentos na cabeça.

Acabo de  defrontar com uma situação de inflexibilidade e resistência e fiquei pensando sobre o fato e me perguntando se é uma situação de incompetência ou de inadequação.

Quando sou contratada deixo claro que os problemas ou conflitos serão resolvidos ao longo de um tempo pré-estabelecido e que o contratante tem que necessariamente estar disposto a passar por uma bateria de questionamentos internos, por vezes dolorosos, já que o mergulho interior pode colocar em evidência emoções  ou valores que levamos anos a fio escondendo de nós mesmos.

O coach tem a função de andar junto, conduzir o seu cliente nesse mergulho tendo por objetivo o que o cliente determinou por meta.

O coach não determina a meta, ele pergunta qual é a meta que o cliente quer alcançar. Na maioria dos casos a meta passa por uma reavaliação, já que nesse mergulho interior é comum que o indivíduo se redescubra e retome caminhos temporariamente abandonados em virtude de alguns obstáculos.

Viver é uma luta.

Luta pela sobrevivência física, emocional e espiritual e toda luta tem o período de treino e como lutadores que somos elegemos qual é a melhor maneira de treinar, né?

Pois bem, comecemos exatamente por esse ponto: O TREINO.

Algumas pessoas, a maioria, escolhe treinar fazendo uso de um sparring (um lutador que é usado para aprimorar as técnicas de lutador principal, em resumo um cara para sofrer os golpes)

Tem pessoas que viciaram-se em olhar tudo e todos de uma maneira muito ampla, observando o que está errado em cada um (como se errado e certo fossem fundamentos incondicionais e imutáveis , sic), como deveriam agir, o que seria o ideal na postura do outro….

E assim por diante, e isso não seria algo tão crucial se essa maneira de enxergar o outro  não trouxesse ao dono de olhinhos tão perspicazes uma onda de irritação imensa, fazendo do seu cotidiano um lamentar-se improfícuo, estérial que não tenha outra função que não seja a de lhe fazer infeliz e irritadiço.

A redundância nunca foi recurso que desse resultado positivo, é mais oportuno sermos objetivos, não só na nossa fala mas, e principalmente, no nosso jeito de pensar. Em geral remoemos palavras ditas, fatos ocorridos, choro contido, sorriso perdido e qualquer coisa que JÁ TENHA ACONTECIDO. O que já passou deve ter a nossa atenção para ser interpretado como instrumento de aprendizagem. Repetir o mesmo pensamento várias e diversas  vezes (rsrsrsrsrs) só vai gerar desgaste e a maldita da irritação. Você já pensou sobre isso?

Sei que você pode estar contra argumentando com a colocação que você não consegue dominar o seu pensar, e se você consegui dizer isso, mesmo que seja só em pensamento, pode admitir que você NÃO PENSA,apenas se deixa levar pelo instinto.

Quem pensa, pensa com o SEU cérebro, com a SUA emoção e com o SEU conhecimento, portanto, o pensamento é SEU e se você não controla o SEU próprio pensamento, vai controlar o que????

Arre que essa estória de pensar é muito complicada, não é?

Voltemos ao TREINO da nossa luta de viver.

Digamos que você escolheu o sparring para efetuar os seus treino e diante disso é bom pensar que (lá vem a estória do pensamento de novo!!!!):

– a nossa mãe é nossa primeira e voluntária sparring

– com o correr do tempo vamos saltando de sparring para sparring por pura acomodação. Transferimos da mãe para a primeira pessoa que tiver mais próxima de nós ( companheiro(a), filhos, chefes..)

– e por último, cabe considerar que o sparring, na luta de boxe é contratado para isso, recebe salário e aceita a função por livre escolha, o que não é exatamente o que acontece com nossos sparrings, certo?

Existe um outro recurso para treinarmos a luta da vida, caso você já tenha desistido de ter um sparring, o que é muito sensato por sinal, é o SACO DE PANCADA. Bom, né?

Todo lutador deve ter um, cada um escolhe o modelo que melhor lhe atender;

– tem o faxinas club, adequado ao sexo feminino por gastar a nossa energia e consequentemente anula a irritação por cansaço;

– tem ainda esporte esporádico, esse tem mais aceitação tanto no setor masculino como no feminino e traz os mesmos benefícios do faxinas club

– tem o pernas pro ar, com livro ou sem livro, com música ou sem música, adaptável a qualquer lutador.

Enfim são muitas as possibilidades de você adquirir o seu saco de pancada, a única coisa que você deve atentar é que Deus, aquele velho e bom amigo, também está querendo que TODOS ACERTEM E SEJAM PERFEITOS e isso já faz um longo tempo e ainda não tivemos notícias  que Ele esteja irritado, certo?

Deve ser porque irritação é um mal desnecessário.

ILUSÃO E REALIDADE

Amigo leitor, sobre esse tema, eu sugiro que leia atentamente o texto transcrito do livro “A Imensidão dos Sentidos” de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed com atenção e desprovido de qualquer pré-conceito.

“O maior desatino dos “controladores” é que para dominar precisam, antes de tudo, viver distanciados de seus próprios sentimentos, que, acreditam, poderiam deixá-los vulneráveis diante dos outros. Não se arriscam a mostrar como se sentem realmente. Em outras palavras, por medo de serem usados, maltratados ou desmascarados, escondem seus sentimentos mais profundos para assegurarem-se de que não existe possibilidade de qualquer pessoa ter poder sobre eles. Têm uma enorme necessidade de ordenar e passam anos a fio dizendo a si mesmos que a maneira certa de agir é ter as rédeas de tudo em suas mãos.

Os “controladores” fazem o trabalho em segredo, usando técnicas de comando indiretas, passivas. Agem de maneira tão sutil, dócil e educada, que não são identificados como tais. Podem ter consciência ou não do hábito de controlar, mas uma coisa é certa: esse comportamento faz-lhes muito mal, pelo desgaste energético em que vivem – impacientes, incapazes de relaxar e ficar sem fazer nada.”

Páginas 161/162

Leram?

Um texto forte eu diria, forte, mas carregado de lucidez.

É necessário ter coragem e discernimento ante uma verdade como esta, é preciso colocar um espelho em um quarto, fechar as portas e janelas para refletir se essa verdade cabe ou coube em algum momento da nossa viagem pela vida, espetacular e totalmente descontrolada por nossas crenças! E cá pra nós, graças a Deus, né? Já pensou se o Universo fosse regido por nossa pobreza espiritual?

A grande sacada diante de uma colocação como esta é nos dar o direito de nos livrar das ilusões acumuladas pelo tempo e olhar livremente, sem dogmas, sem medos, sem apego e com uma boa dose de ousadia e avaliarmos em quais situações nos comportamos como controladores.

A fada madrinha da Cinderela consegue transformar, por poucas horas, uma abóbora em carruagem, mas, é só ela. O máximo que podemos conseguir é transformar nossas ilusões de poder, comando, posse –  em pedrinhas que dificultam a nossa paz, tranforma-las em carruagem é coisa de fada. Você tem uma de plantão?

Caso você não tenha uma madrinha fada e a sua madrinha seja apenas uma pessoa querida, aconselho a usar outro recurso para transformar a ilusão de poder em uma carruagem belíssima ou, no mínimo, em uma abóbora muito simpática.

Detectando em nós mesmos se possuímos ou não o comportamento controlador daremos o primeiro passo para transformar a abóbora, nossas ações, em carruagem, ações que resultam em realização pessoal.  Podemos pensar se o desgaste energético, de controlar, é indispensável, se os resultados que estamos obtendo é bom o suficiente para justificar esse comportamento e se estamos felizes ou em paz diante desse padrão comportamental. (pouco provável….. )

Vença os seus medos, afinal a sua vida é resultado do que você pensa, acredita, sonha…..

Quer ser feliz?

Então OUSE. Vibre. Busque. Liberte-se de valores e crenças que lhe foram impostas na infância, construa os seus próprios valores, crie o seu caminho, refaça o trajeto se for necessário.

Talvez seja sensato participar da experiência de viver, achar o nosso eixo, o equilíbrio entre o que sabemos e o que ainda iremos aprender, buscar conviver com as pessoas sem manipulá-las, jogar as nossas ações para o Universo e aguardar as reações provocadas com a segurança de ter feito o melhor possível.

Crer ou não crer…. eis a questão.

Temos fé, ou não temos fé?

Vamos pensar um pouco sobre essa questão:

1-    Para ter fé é preciso acreditar em algo, certo?

Ótimo!

Comecemos exatamente desse ponto: – quem acredita TEM que existir-  sendo assim o primeiro passo será sempre existir.

Ficou confuso?

Claro que não!

Acreditar em algo significa que além de sobreviver eu VIVO, tenho consciência clara de quem sou e discernimento para elaborar conceitos.

Chegamos, portanto, no AUTOCONHECIMENTO.

Algumas palavras perdem sua “densidade” com o uso excessivo, tornam-se chavões aplicados a todo e qualquer momento, deixemos então para o autoconhecimento o significado de ser alguma coisa que nos leve a conquista de saberes sobre o que sentimos, queremos e o que somos. É necessário decodificar esse sentir, querer e ser, aprofundando com questionamentos incessantes até que a nossa razão dê-se por satisfeita com as respostas obtidas.

2-    Outro ponto importante é alicerçar a fé na razão. Religiosidade criada no “vai-da-valsa”, embasada em tradições passadas de um para outro não pode ser tida como FÉ, pois a fé pressupõe acreditar e como acreditar no que não vislumbramos compreender?

Não tenho a pretensão de escrever algo muito novo sobre tema tão profundo como a FÉ, quero apenas levantar a curiosidade de alguns, que tidos por leigos mesmo assim querem mais do ato de VIVER.

Tenho por objetivo nessa pequena proposta de reflexão atingir uns poucos amigos ou mesmo aquele que o “acaso” levar à leitura desse texto.

Desejo refletir sobre a necessidade urgente de encontrarmos caminhos que nos levem a nós mesmos.

Mergulhar nos nossos mais secretos e/ou camuflados desejos pode ser doloroso, desafiador e causar um grande medo, mas é a única maneira de nos defrontar com a nossa verdade.

Temos à disposição inúmeros instrumentos para esse mergulho: terapias, dinâmicas de grupo ou individuais, textos, teorias…

São muitas as opções.

Só tem um senão; todas, invariavelmente todas, são APENAS instrumentos, o único ator é o indivíduo. Só ele carrega a própria vida, portanto, não há roteiro alternativo, teremos que descobrir a nossa essência com as próprias mãos. Tarefa longa e árdua, mas prazerosa na medida em que constatarmos o quanto somos bons, o quanto crescemos e ainda podemos crescer.,

Você, meu leitor, pode estar estranhando tudo isso e se perguntando:

– Como somos bons, se buscamos a nossa essência que está mascarada no fundinho do nosso inconsciente?

– Se fossemos bons ela não estaria escondida, não é?

Ledo engano.

Com o passar dos anos, atendendo pessoas aqui e ali,  e minha experiência como pedagoga pude constatar que se mergulharmos ao lado de alguém que busque se conhecer verdadeiramente teremos surpresas maravilhosas. Exemplos de doçura, de amor, de doação e de extrema sensibilidade que foram sufocados pelo cotidiano, na necessidade de sobreviver, por vezes deixando de vivenciar a própria emoção.

O pré-conceito, a culpa proposta por conveniências do meio social entre outros fatores, sufocam o lado mais humano de cada um de nós, e a partir disso teremos a “fuga” da verdade pessoal para o escaninho do subconsciente.

Não tenho a intenção de abordar esse tema sob a ótica da psicologia, já que nessa área, como em tantas outras, não tenho conhecimento aprofundado.

Sou só uma pessoa pensando e crendo que alguém possa se beneficiar com a minha linha reflexiva.

Acredito piamente que quem tem fé não tem medo, tem dores, mas tem coragem para suportá-las.

Quem tem fé tem raiva, mas também tem discernimento para domá-la.

Quem tem fé, não tem inveja, tem metas para alcançar.

Quem tem fé tem força e sabedoria para VIVER.

Conheça-se profundamente de tal maneira que acredite firmemente  que você é capaz de realizar tudo o que sonhar.

Acreditar em você é o primeiro passo para acreditar em ALGO MAIOR.

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: