Por Maria Inês Campos

Onde está a felicidade?
Ao escrever esse artigo pensei em fazer uma pergunta a mim mesma partindo do pressuposto que em geral as pessoas procuram por coaching para descobrirem ou mesmo aprenderem como fazer para serem mais FELIZES. Penso sobre isso sempre que um coachee me procura. Pergunto o que ele realmente busca, até aonde seu gesto, seu olhar e sua fala estão em sintonia, dizendo a mesma coisa e sabe qual a conclusão a que chego? Quase nunca. Curioso como nós conseguimos escapar de nós mesmos, e como encontrar a felicidade nessa trajetória de fuga?
Que ser Coach é a arte de ouvir e sentir o outro é óbvio, e condição primeira para o exercício desse trabalho, mas é preciso ir mais além, é extremamente necessário perceber para onde, qual o caminho que percorreremos junto com o coachee e como faremos isso. Precisamos estruturar uma seqüência de recursos que levem o cliente para o encontro de si mesmo e só a partir dessa meta estruturar outras.
Lembrando de boa aula, uma das melhores na minha busca pessoal, a chave era:
INTENÇÃO – ATENÇÃO – FLEXIBILIDADE – AÇÃO.
Intenção, em uma visão de coach, é saber a que veio o meu cliente. Qual a motivação que a fez procurar por coaching?
Atenção é usar de minhas vivências e conhecimentos para vislumbrar o que o meu cliente realmente quer. O que essa pessoa que está diante de mim precisa esclarecer para si mesma?
Flexibilidade, eis o instrumento mais importante e também o mais difícil de ser usado, ele significa o manancial de recursos que terei a disposição para caminhar com o cliente, é a flexibilidade que fará com que possamos mergulhar na neurociência promovendo uma sustentável programação cerebral para que os objetivos sejam alcançados. Um recurso muito importante é o conhecimento, embasado, estudado, pesquisado, no tema proposto – FELICIDADE – algumas considerações conceituais tem o poder de arrumar a nossa casa mental como um passe de mágica.
Felicidade pode ser algo a ser conquistado com infinitas variações de indivíduo para indivíduo, o velho chavão “o que é bom pra mim, não é para você” tem uma boa dose de verdade.
Na aplicação do coaching como instrumento de conquista do status de ser feliz é preciso ter consciência conceitual de felicidade. Conceitos não são variáveis, são norteadores, e vão estruturar o nosso trabalho. Nesse campo dos recursos enfatizo o uso apropriado de saberes. Engana-se aquele que define o Coach como um simples aplicador de recursos e frases de efeito, o recurso para o alcance das metas está sem dúvida, no cliente e o recurso para que o cliente acesse o que tem, está no Coach.
Em se tratando de felicidade encontramos duas posturas conceituais que auxiliam a flexibilidade como instrumento de superação de obstáculos:
Aristóteles não defendia viver apenas em busca de emoções positivas e prazeres. Para o filósofo grego, ser feliz era praticar a virtude. Sentir-nos pessoas boas e engajadas socialmente traz realização pessoal e sedimenta a sensação de felicidade.
Thomas Jefferson que incluiu a felicidade na declaração de independência americana, em 1776, definia felicidade como algo que envolvia conter desejos para obter objetivos de longo prazo.
Conclusão: Um Coach tem que saber exatamente o que está fazendo e para onde está indo.
E por fim chegaremos à ação, a materialidade do que for desenhado mentalmente nas sessões. A efetivação das metas. A conquista da felicidade!
Como pedagoga, tenho uma visão didática para argumentar e utilizo metáfora e casos reais que evidenciem fatos comprovadores.
Vamos para um o relato de uma cliente que me procurou onde perceberemos, de forma prática, a aplicação do coaching de vida utilizando uma gama bem variada de leituras em todos os níveis neurológicos.
Chamaremos de Sílvia essa cliente, por razões óbvias não daremos o nome verdadeiro.
Sílvia apareceu em meu consultório procurando por qualquer coisa que a fizesse acreditar. Ótimo! Pensei; se ela já vem disposta a acreditar já tenho um excelente canal de atuação. Disparo a pergunta: Acreditar em que? E a resposta vem como balde de água gelada – Sei lá. Em qualquer coisa.
Era fácil demais para ser verdade, minha experiência me diz que alguém que quer acreditar em qualquer coisa está literalmente dizendo que NÃO ACREDITA em mais nada!
Bom, sendo assim, vamos para a AVALIAÇÃO, primeiro passo para o trabalho de coaching. Deixo que Sílvia fale, interfiro espaçadamente com perguntas tipo: por que, quando e como assim. Tenho um breve histórico, através de seu relato, sobre o seu momento atual.
Obtenho o seguinte quadro: Sílvia é mãe de dois filhos, 10 e quatro anos respectivamente, separada, o ex-marido é alcoólatra, ela vive de empregos temporários e tem um romance com um homem casado que quase nunca está por perto, como é de se esperar nessas situações. Encontra-se deprimida e com a sensação, aos 29 anos, de que nada mais pode dar certo em sua vida. Osso duro de roer penso com os meus botões… Fico em dúvida por um momento sobre qual instrumento aplicar e decido-me pela linha do tempo, pois preciso localizar onde, como e porque está a razão de sua baixa estima. Sei por estudo que alguém que se coloca em situações desse tipo, em geral, é pessoa que não se acha merecedora de situações melhores.
Durante a primeira sessão senti um bloqueio em voltar ao passado mesmo que fosse para situações positivas. Sílvia alegava que não se lembrava de nenhum fato bom. Curioso. Todo mundo tem coisas boas de lembrar. Usei outro recurso, coloquei Sílvia como espectadora de sua própria vida e propus depois do relato da infância da menina Sílvia, que ela conversasse com essa criança e dissesse o quanto seus registros vivenciais estavam equivocados. Sílvia se emociona, chora, desmente para a criança conceitos que foram ditos de maneira insana a ela. Diz que ela não é lerda, nem preguiçosa, conversa com essa menina destruindo bloqueios impostos, a conversa não flui como um passe de mágica. Sai aos solavancos. Como um trator que passa sobre estrada pedregosa.
Fim da primeira sessão. Saldo positivo, minha cliente percebe que É CAPAZ! Ufa! E salve o conhecimento! Vamos em busca da FELICIDADE!
Segunda sessão e a proposta de instrumentalização, a Roda da Vida. Propositadamente, já que sei que nenhum dos itens que consta desse recurso encontrará reservas para suprir necessidades, e aí está o grande mérito da sessão como veremos a seguir. Como já era o esperado Sílvia avalia todos os itens, carreira, finanças, relacionamentos, desenvolvimento pessoal, espiritualidade, ambiente, lazer e saúde e boa forma com grau de satisfação bem baixo. Convido-a para sentar-se no meu “tapete mágico” (de verdade uma esteira de praia que estendo no chão e assim obtenho uma postura mais fluídica do cliente, tanto na fala como no gestual. Não deve ser usada aleatoriamente, considero a possibilidade física do cliente, lógico. Só um detalhe: moro no interior do estado de São Paulo)
Converso com Sílvia calmamente, mantenho um sorriso de aprovação durante sua fala, sei que ela precisa disso agora, sonhamos juntas, construindo, nos diversos níveis neurológicos o Estado Desejado. Pronto. Tarefa executada. Volto sutilmente na Roda da Vida, primeiro verbalmente sem que a cliente perceba, abordo todos os itens desse instrumento, reavaliando. Depois abro o papel onde o desenho da Roda está preenchido com a letra da cliente e pergunto se está bom assim para ela.
Respiro aliviada, Sílvia diz que NÃO! Fico feliz, vibro tanto quanto a cliente, e decidimos reconsiderar os graus de satisfação, não alteraremos o documento já feito, reescreveremos um outro, com mais coerência com a Sílvia que começa a desabrochar diante de meus olhos. Finalizo essa sessão e deixo tarefa. Oriento minha coachee a exercer o NÃO sempre que tiver vontade. Vou mais longe, digo a ela que brinque de dizer – Agora não, mais tarde. – só pelo prazer de dizer, como se fosse testar a sua capacidade de decidir, quebrando assim bloqueios construídos através da crença de que não era capaz o suficiente e, portanto, deveria sempre aceitar o que lhe era imposto.
Não aceite nada antes de submeter à sua própria avaliação, era essa a lição a ser apreendida por Sílvia nesse momento. A virtude sugerida por Aristóteles estava sendo empregada aqui. Assumir a sua VERDADE pessoal não é uma excelente virtude a ser cultivada? E se quisermos citar Thomas Jefferson, seria menos verdadeiro afirmar que DECIDIR significa abrir mão da zona de conforto para assumir riscos em nome de um objetivo de longo prazo?
Estávamos a caminho da felicidade. A felicidade de ser, com todas aas implicações que isto traz; respeito, consideração, responsabilidade e amor.

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Comentários em: "Onde está a felicidade." (3)

  1. Maria seus textos conseguem fazer com que nos aprofundemos em nós mesmos de uma maneira tão sábia.
    Beijos.

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  2. Ana Luiza Pires disse:

    Simplesmente maravilhoso seu texto e a história relatada! Parabéns pela profissional que é e pelo importante papel que desempenha em prol dos benefícios que proporciona a outras pessoas com todo seu conhecimento e amor! É muito bom acompanhar seu blog! Beijos

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